domingo, 10 de fevereiro de 2013

Quem espera sempre alcança..





Demorou mais do que estávamos à espera. Estava suja. Estava vazia. Tem particularidades de casa de chinês, incluindo grades com cadeados em todas as janelas, ventoinhas nos quartos para poupar dinheiro na electricidade, bancadas de cozinha em versão para anões, pequenos altares à porta de casa, uma bela Hello Kitty pendurada na porta da rua e pequenos Winnie the Pooh colados no espelho da casa de banho.

Mas agora já parece outra, já tem os armários carregadinhos de roupa, revistas e papeis espalhados por todo o lado, já foi devidamente esfregada para tirar resíduos daquilo que pareciam anos sem limpeza, já tem a televisão sintonizada na RTP Internacional, os computadores ligados à net e o nosso galo de Barcelos em lugar de destaque.

Ficámos eternamente gratos ao Sr. Vitor, um chinês de Hong Kong, que foi incansável e que andou com o fiel escudeiro a ver casas (e outras coisas que os chineses chamam de casa, mas que nos nossos critérios não passam de pardieiros). No meio de dezenas de imobiliárias que visitamos, esta foi a única que nos ajudou. E aproveitamos o facto de se estar a aproximar o ano novo chinês para lhe dar uma prendinha.

Agora temos um pequeno castelo, que fica um bocadinho mais longe do centro, e que tem uma particularidade: neste bairro não há ruas paralelas ou perpendiculares. Todas as ruas parecem ter sido construídas sem critério.

Resultado: ando sempre perdida! O meu sentido de orientação é uma nódoa e neste emaranhado de ruas e becos sem saída, tenho medo de haver um dia em que não encontre o caminho para casa.

Estou a pensar mudar o nome ao blog para "As Aventuras da Princesa Perdida".


domingo, 6 de janeiro de 2013

Agulha num palheiro

As últimas semanas aqui em Macau têm sido palco de um acontecimento estranho. A princesa e o seu fiel escudeiro aproveitam todo o tempo livre que têm para caminhar.. andar, andar.. até esgotar a força nas pernas. Seria de esperar que fosse porque ambos precisamos tonificar músculos, mas não! As caminhadas têm como objectivo encontrar novo castelo.

Entramos em todas as agências imobiliárias, vemos todas as casas que nos propõem, exercitamos a nossa mímica para nos conseguir fazer entender com os chineses.. e até agora nada, rien, nicles!

O mercado imobiliário em Macau não deixa de me surpreender. A grande maioria das casas são de péssima qualidade, em prédios com mais de 40 anos, pequenas, húmidas  sem luz natural, sem vista.. Um sem fim de defeitos. E no entanto são caras. Muito caras.

Engane-se quem achava que Nova Iorque era o local onde o metro quadrado era mais caro. Como são apenas 30km quadrados e a densidade populacional é muito elevada, a procura é muito elevada. Os preços acompanham essa subida.

Qualquer casa que podemos considerar decente custa mais de 7.000 patacas por mês. Se for um bocadinho mais que decente já vão ser mais de 10.000 patacas. Pensando que com esse dinheiro em Portugal quase conseguíamos alugar um apartamento luxuoso, andamos sempre revoltados.

Já vimos casas no quinto andar sem elevador, tão pequenas que nem uma cama de casal cabia no quarto, tão próximas do vizinho que podia tirar roupa do estendal dele, tão escuras da humidade, com casa de banho e cozinha "dois em um", sem cozinha, com bancadas de cozinha que me davam pelo joelho, com camas dentro de armários, um sem fim de pérolas que nos vão ficar na memória.

Mesmo assim, e baixando os nossos critérios, já tínhamos encontrado algumas casas que queríamos para nós. Num dos casos, combinamos com a agência, inclusive com o dono da casa e à ultima hora recebemos um telefonema a dizer que afinal outra agência tinha conseguido negócio antes de nós. Noutro caso houve alguém que ofereceu mais dinheiro pela casa. Ambos pareciam ser um negócio fechado. Ambos resultaram num desgosto.

Macau deve ser o único local no mundo onde são os clientes que andam atrás das pessoas das agências imobiliárias e onde estas agências não fazem o mínimo esforço por fazer negócio. Quando digo "mínimo", na verdade deveria estar a dizer "absolutamente nenhum".

Além disso, a especulação imobiliária não tem nenhum controlo e os donos das casa fazem aumentos do valor das rendas ao final de um ano, algumas vezes superiores a 100%. E mais impressionante é o facto de isso ser ilegal. A lei prevê o aumento da renda no valor de 10% apenas ao final de dois anos. Mas os donos e as agência parecem não querer saber.

Numa das negociações que tivemos (e são recorrentes), dissemos ao dono da casa que o aumento de 10% ao final de um ano era ilegal e por isso não podíamos assinar o contrato. Resposta dele: "Eu sei que é ilegal, mas aqui é Macau". This is Macau parece servir de justificação para tudo.

Mas não nos damos por vencidos. Amanhã vamos novamente fazer uma incursão pelas ruas de Macau. Havemos de conseguir... encontrar uma agulha no palheiro.





sábado, 22 de dezembro de 2012

Finalmente de férias!!

Se em Portugal há cada vez menos feriados, em Macau não deixo de ficar surpreendida com a quantidade de feriados, pontes e outros dias atribuídos pelo Governo.

Aqui a época natalícia coincide com a celebração da passagem de Macau de Portugal para a China (este ano celebraram-se 13 anos da constituição da RAEM - Região Administrativa Especial de Macau), por isso desde quinta-feira dia 20 até dia 26 de Dezembro não se trabalha em Macau.

Nesta semana poucas são as pessoas que ficam por Macau. Em compensação, as praias da Tailândia enchem-se de barrigas e pernas brancas que aproveitam os feriados (e os ordenados) de Macau.

A Princesa e o seu fiel escudeiro optaram por uns dias retemperadores na RAEM, um Natal caseiro, e muitas visitas a agências imobiliárias. É que a busca por um novo castelo está no topo das nossas prioridades. Isso e pôr a conversa em dia com família e amigos de Portugal.. que as saudades são muitas.

Importa salientar que no dia 20 a princesa ainda foi trabalhar e que ontem mais de metade do dia foi passado a dormir. Uma cura de sono faz sempre bem.

Hoje finalmente sinto que está aberta a épocas das férias :)

Macau, aí vamos nós!

"Mas com calma", diz o escudeiro.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Se há coisa em que os portugueses são bons é a fazer filas..

.. já os chineses deixam muito a desejar.

Hoje fui ao Comissariado da China aqui em Macau para tratar do meu visto e ainda estou a tirar penas dos meus saltos altos, tal foi o galinheiro ali dentro.





Por algum motivo as máquinas das senhas que vão chamando o "próximo cliente" deixaram de funcionar e gerou-se o caos. Uma massa de gente aglomerou-se junto aos dois balcões aos gritos e aos encontrões a tentar todos falar ao mesmo tempo com as duas pessoas que estavam a atender.

Distinguiam-se dois tipos de pessoas: as galinhas (chinesas, pequenas, com vozes mto agudas), e os galos (estrangeiros, alguns portugueses, que falavam com a arrogância dos colonizadores).

E eu! Desesperadinha.. agarrada à minha senha que me colocava à frente deles todos!

Cada vez que passava um dos empregados e eu me desviava para perguntar alguma coisa, nasciam mais 5 pessoas à minha frente na fila! E explicar-lhes que a fila não era assim que funcionava? Que eu tinha estado lá antes para tirar uma senha e que tinha direito a ser atendida antes deles? Isto é uma questão de direitos humanos!!! (vá, ou quase)

Teve alguma graça ver a reacção das pessoas qdo entrevam naquela sala e viam o que parecia ser uma manifestação. Incrédulos, de queixo caído, resignados à senha que dizia 150 pessoas à sua frente.

Os empregados lá do sítios estavam tão desesperados como eu, e demorou UMA HORA a vir um deles dizer.. TOCA A DISPERSAR!! Uma hora!

Como eles falavam em chinês, só os chineses é q dispersaram, ficando apenas os estrangeiros na fila, sozinhos na fila a olhar à volta para perceber o que tinha acontecido. Não fosse o caso se eles se terem sentado e podia ter sido um alerta de bomba tal foi a rapidez com que saíram da fila.

Depois disto, 10 minutinhos e estava despachada.

O portuga  desenrascado faz muita falta nesta terra.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Oh mãe, Oh mãe

Como recompensa por actos de coragem e valentia, representantes do reino distante de Macau (leia-se, os senhores dos casinos), presentearam a princesa com um livre trânsito para um banquete. Um festim.

O presente foi para a princesa, mas quem ficou em êxtase foi o fiel escudeiro. Alías, não podia ter ficado mais contente.

Neste fim de semana fomos finalmente usufruir do nosso banquete, um almoço buffet. Surf and turf, diziam eles. Prometiam um sumptuoso almoço com lagosta e carne de vitela Wagyu, uma abundante escolha de entradas, especialidades chinesas e sobremesas deliciosas.

Tudo isto inserido no complexo do Hotel Okura, uma espécie de um refúgio japonês dentro do gigante que é o Galaxy Entertainment Group. Senhoras vestidas com trajes típicos japoneses, fontes e lagos interiores.. um pequeno oásis!

Prometeram e cumpriram!

Às primeiras garfadas ouviu-se na sala um "Oh mãe, Oh mãe!!" num crescendo de intensidade, à medida que o paladar apurava os sabores. Da nossa mesa ouviam-se as bolhinhas do espumante, o crunch crunch e os barulhinhos dos macarons fresquinhos a desfazer na boca.






Pena que esse som tenha sido abafado pelo som dos chineses que sorviam patas de caranguejo como se o mundo fosse acabar.

Nessa altura a princesa quis ser plebeia.