Como recompensa por actos de coragem e valentia, representantes do reino distante de Macau (leia-se, os senhores dos casinos), presentearam a princesa com um livre trânsito para um banquete. Um festim.
O presente foi para a princesa, mas quem ficou em êxtase foi o fiel escudeiro. Alías, não podia ter ficado mais contente.
Neste fim de semana fomos finalmente usufruir do nosso banquete, um almoço buffet. Surf and turf, diziam eles. Prometiam um sumptuoso almoço com lagosta e carne de vitela Wagyu, uma abundante escolha de entradas, especialidades chinesas e sobremesas deliciosas.
Tudo isto inserido no complexo do Hotel Okura, uma espécie de um refúgio japonês dentro do gigante que é o Galaxy Entertainment Group. Senhoras vestidas com trajes típicos japoneses, fontes e lagos interiores.. um pequeno oásis!
Prometeram e cumpriram!
Às primeiras garfadas ouviu-se na sala um "Oh mãe, Oh mãe!!" num crescendo de intensidade, à medida que o paladar apurava os sabores. Da nossa mesa ouviam-se as bolhinhas do espumante, o crunch crunch e os barulhinhos dos macarons fresquinhos a desfazer na boca.
Pena que esse som tenha sido abafado pelo som dos chineses que sorviam patas de caranguejo como se o mundo fosse acabar.
Nessa altura a princesa quis ser plebeia.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Oh mãe, Oh mãe
sábado, 24 de novembro de 2012
Temos um casino ilegal cá no prédio
Emigrar para a China é ter de gramar com os vizinhos a jogar mahjong a noite toda e tentar dormir enqto ouvimos os barulhos das peças.
Enganem-se aqueles q pensam q o mahjong é aquele jogo de paciência onde estamos a casar peças aos pares. Isto q eles jogam é uma espécie de damas ou dominó (devo estar a dizer uma heresia qualquer, mas é o q parece), que eles jogam a dinheiro, como seria de esperar.
Estou com vontade de mandar lá o fiel escudeiro acabar com a festa, mas acho q corria o risco de ele ficar lá com eles.
Enganem-se aqueles q pensam q o mahjong é aquele jogo de paciência onde estamos a casar peças aos pares. Isto q eles jogam é uma espécie de damas ou dominó (devo estar a dizer uma heresia qualquer, mas é o q parece), que eles jogam a dinheiro, como seria de esperar.
Estou com vontade de mandar lá o fiel escudeiro acabar com a festa, mas acho q corria o risco de ele ficar lá com eles.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Em Macau, num restaurante indiano
Ontem ao almoço, num restaurante indiano. Eu e uma amiga eramos as únicas pessoas no restaurante.
(nós) Hello? Hello, Queremos fazer o pedido!
(o empregado) Humnm Hunmn Humnm
(nós) Desculpe, não percebi. Diga lá isso outra vez?
(o empregado) I'm very sad. Oh I'm so sad. I have to go back to India. I don't have any luck. I can't stay here anymore. Oh I'm so sad. Very sad.
(nós pensamos) Ok, então mas e a comida?
(nós dizemos) Ok, então e podemos fazer o pedido?
Apontamos para o menu para pedir tudo o que queremos e esperamos ter alguma sorte.
A comida chega, e o empregado até fez um pãozinho especial para nós.
(o empregado) I made it myself!
(nós pensamos) Ok, ok nós queremos é comer.
Durante o almoço inteiro não entrou ninguém no restaurante. Só havia um empregado e um cozinheiro, cada um escondido no seu posto de trabalho.
No final do almoço:
(nós) Hello? Hello? Check please!
(nós, aos gritos) Helooooooo? Uhhhhhh?
(nós, já de pé aos gritos) HELLO!?!?
Então percebemos que o empregado estava a dormir, com a cabeça no meio dos braços, em cima do balcão. Podíamos ter saído e ele não teria dado por nada. Nessa altura percebemos que se calhar esse era o motivo pelo qual ele não tinha sorte nem dinheiro.
(nós) Hello? Hello, Queremos fazer o pedido!
(o empregado) Humnm Hunmn Humnm
(nós) Desculpe, não percebi. Diga lá isso outra vez?
(o empregado) I'm very sad. Oh I'm so sad. I have to go back to India. I don't have any luck. I can't stay here anymore. Oh I'm so sad. Very sad.
(nós pensamos) Ok, então mas e a comida?
(nós dizemos) Ok, então e podemos fazer o pedido?
Apontamos para o menu para pedir tudo o que queremos e esperamos ter alguma sorte.
A comida chega, e o empregado até fez um pãozinho especial para nós.
(o empregado) I made it myself!
(nós pensamos) Ok, ok nós queremos é comer.
Durante o almoço inteiro não entrou ninguém no restaurante. Só havia um empregado e um cozinheiro, cada um escondido no seu posto de trabalho.
No final do almoço:
(nós) Hello? Hello? Check please!
(nós, aos gritos) Helooooooo? Uhhhhhh?
(nós, já de pé aos gritos) HELLO!?!?
Então percebemos que o empregado estava a dormir, com a cabeça no meio dos braços, em cima do balcão. Podíamos ter saído e ele não teria dado por nada. Nessa altura percebemos que se calhar esse era o motivo pelo qual ele não tinha sorte nem dinheiro.
sábado, 10 de novembro de 2012
Primeiro de muitos
Hoje faz um ano que o fiel escudeiro partiu para um reino longínquo, para um império a Oriente que prometia muitas aventuras.
Prometeu e cumpriu. Hoje, já acompanhado da princesa, conta os meses longe de casa e promete visitas para matar saudades do seu séquito.
Mas não há percalços que o desviem de um optimismo (às vezes excêntrico).
Está para ficar, enquanto o deixarem!
Prometeu e cumpriu. Hoje, já acompanhado da princesa, conta os meses longe de casa e promete visitas para matar saudades do seu séquito.
Mas não há percalços que o desviem de um optimismo (às vezes excêntrico).
Está para ficar, enquanto o deixarem!
sábado, 3 de novembro de 2012
Protocolo Chinês
O blog tem andado um bocadinho abandonado porque quando comecei a trabalhar os horários e a disponibilidade alteraram-se um bocado. No final do dia escolher entre escrever no blog ou ir dormir não deixa muitas dúvidas.
ZZZzzzZZZzzzZZZzzz
Trabalhar em Macau é a minha primeira experiência internacional. Se antes trabalhava muito com o mercado angolano, a verdade é que nunca tive de me deslocar do escritório.
Além do mais, antes trabalhava em actividades de marketing que preparavam o caminho para o trabalho dos comerciais. Agora para além disso tenho também de fazer trabalho comercial, ir a reuniões e fazer contas de cabeça para não me enganar nos preços, descontos, promoções e afins.
Vender publicidade para um revista nova, qdo todos dizem que o mercado está em crise, quando o investimento das marcas neste tipo de publicidade é cada vez menor, é um grande desafio.. chega a ser frustante. Mas a verdade é que ao contrário do que acontecia em Portugal, as pessoas estão dispostas a receber-me, têm sido simpáticas nas reuniões (apesar de não comprarem nada.. eheh).
Esta introdução serve para dizer que grande parte do meu tempo é passado ao telefone a tentar descobrir com quem tenho de falar, e o resto do tempo é passado em reuniões.
A grande maioria das vezes faço as reuniões em inglês. Uma portuguesa a ter reuniões com chineses, com as conversas feitas em inglês é uma grande confusão. Se o fiel escudeiro já me criticava por usar demasiados estrangeirismos nas minhas conversas, agora chego ao cúmulo de lhe contar o meu dia e usar frases inteiras em inglês!
Ainda assim, há algumas reuniões que faço em português. Os donos dos restaurantes, as direcções das instituições públicas, e um ou outro negócio de portugueses que investiram em Macau.
E é aqui que as coisas se tornam mais parecidas com Angola. Porque o sotaque dos macaenses que falam português está cheio de africanidade. Isso e a burocracia!! E pedirem-me para ter calma, que aqui as coisas se fazem com calma. "Momentai" é a expressão que usam qdo me querem dizer "relax" ou "sem stress".
A parte engraçada das reuniões com os chineses é o protocolo. Eles são malucos com os cartões de visita, por isso a primeira coisa que se faz, é receber o cartão que nos é entregue com o nome virado para nós, segurado pelas duas mãos e acompanhado de uma pequena vénia. Devemos receber o cartão também com as duas mãos, examinar o cartão e se possível guardar num porta cartões (sinal de que o relacionamento que estamos a iniciar será próspero). Nunca devemos guardar os cartões nos bolsos das calças ou atirar para dentro da mala. Seria uma grande falta de respeito.
Depois, o processo repete-se, mas no inverso. Tenho de devolver a amabilidade entregando o meu cartão, segurando com as duas mãos e fazendo uma pequena vénia.
Pode parecer engraçado, mas estive numa reunião onde fui recebida por três raparigas do departamento de Relações Públicas. E aquilo parecia uma coreografia, com tanta vénia e tantas mãozinhas a segurar nos cartões.
E sim, consegui a proeza de não deixar nenhum cair ao chão!
ZZZzzzZZZzzzZZZzzz
Trabalhar em Macau é a minha primeira experiência internacional. Se antes trabalhava muito com o mercado angolano, a verdade é que nunca tive de me deslocar do escritório.
Além do mais, antes trabalhava em actividades de marketing que preparavam o caminho para o trabalho dos comerciais. Agora para além disso tenho também de fazer trabalho comercial, ir a reuniões e fazer contas de cabeça para não me enganar nos preços, descontos, promoções e afins.
Vender publicidade para um revista nova, qdo todos dizem que o mercado está em crise, quando o investimento das marcas neste tipo de publicidade é cada vez menor, é um grande desafio.. chega a ser frustante. Mas a verdade é que ao contrário do que acontecia em Portugal, as pessoas estão dispostas a receber-me, têm sido simpáticas nas reuniões (apesar de não comprarem nada.. eheh).
Esta introdução serve para dizer que grande parte do meu tempo é passado ao telefone a tentar descobrir com quem tenho de falar, e o resto do tempo é passado em reuniões.
A grande maioria das vezes faço as reuniões em inglês. Uma portuguesa a ter reuniões com chineses, com as conversas feitas em inglês é uma grande confusão. Se o fiel escudeiro já me criticava por usar demasiados estrangeirismos nas minhas conversas, agora chego ao cúmulo de lhe contar o meu dia e usar frases inteiras em inglês!
Ainda assim, há algumas reuniões que faço em português. Os donos dos restaurantes, as direcções das instituições públicas, e um ou outro negócio de portugueses que investiram em Macau.
E é aqui que as coisas se tornam mais parecidas com Angola. Porque o sotaque dos macaenses que falam português está cheio de africanidade. Isso e a burocracia!! E pedirem-me para ter calma, que aqui as coisas se fazem com calma. "Momentai" é a expressão que usam qdo me querem dizer "relax" ou "sem stress".
A parte engraçada das reuniões com os chineses é o protocolo. Eles são malucos com os cartões de visita, por isso a primeira coisa que se faz, é receber o cartão que nos é entregue com o nome virado para nós, segurado pelas duas mãos e acompanhado de uma pequena vénia. Devemos receber o cartão também com as duas mãos, examinar o cartão e se possível guardar num porta cartões (sinal de que o relacionamento que estamos a iniciar será próspero). Nunca devemos guardar os cartões nos bolsos das calças ou atirar para dentro da mala. Seria uma grande falta de respeito.
Depois, o processo repete-se, mas no inverso. Tenho de devolver a amabilidade entregando o meu cartão, segurando com as duas mãos e fazendo uma pequena vénia.
Pode parecer engraçado, mas estive numa reunião onde fui recebida por três raparigas do departamento de Relações Públicas. E aquilo parecia uma coreografia, com tanta vénia e tantas mãozinhas a segurar nos cartões.
E sim, consegui a proeza de não deixar nenhum cair ao chão!
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