Mais um dia em Macau. Começou calmo, com a humidade a fazer das suas e a trazer a preguiça aos corpos que se esforçam por chegar a horas ao trabalho.
Acabou o café e a Princesa sente que vai demorar a conseguir estar completamente operacional.
A Princesa chega ao escritório ainda dormente de sono, optou por colocar os phones, abstrair-se do movimento no open space e despachar o trabalho pendente.
Tic Tic Tic Tic
Mas há qualquer coisa que não está bem.
Tic Tic Tic Tic
Há qualquer coisa que está a impedir a concentração.
Tic Tic Tic Tic
Os emails, o telefone, o telemóvel..
Tic Tic Tic Tic
Foi então que percebeu que o barulho vinha da vizinha do lado no open space! Aquele barulhinho incomodativo era um corta-unhas que estava a trabalhar com afinco nas mãos habilidosas da jovem que não quis perder tempo em casa, mas também não quer olhar para umas mãos mal tratadas enquanto trabalha.
Ainda bem que tenho óculos de protecção, não vá ser o caso de vir algum objecto não identificado a voar na minha direcção.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Inspira... Expira... Inspira... Expira...
Quem vos disser que a adrenalina de trabalhar num jornal ou revista é maravilhosa não teve dias como os que a Princesa vive. Ter de acabar essa publicação em data e hora determinada, correndo o risco de não estar "nas bancas", debater de forma acesa as opções editoriais (ou a falta delas), vetar opções gráficas, edição-revisão-tradução-edição-revisão, correr a cidade para ir buscar um CD só porque um cliente ainda vive na idade da pedra e não sabe enviar ficheiros de grandes dimensões por email, quase chorar porque um cliente afinal não quer aquela fotografia... nem ilustração.. e na verdade, nem o texto que já estava escrito e aprovado há uma semana. Quem vos disser que o cliente tem sempre razão e que o contacto com vendas é maravilhoso não passou um dia a explicar o impacto visual de um objecto preto num fundo cinzento escuro (muito escuro). E quem vos disser que o trabalho em equipa é muito mais recompensante claramente nunca passou o dia em formato "polvo" tentando assegurar que nada falha, enqto vê os colegas em modo passivo completamente alheados de responsabilidade ou brio profissional. Gritar muito (para dentro!!) face à inércia de alguém parado em frente ao monitor.
E tudo isto recomeça novamente daqui a uns dias...
O mais estranho é que, apesar de todos os problemas desta portuguesa perdida no meio de um open space de 20 chineses (que, by the way, não me percebem e me acham exótica), estou ansiosa pela próxima edição e por mais uma voltinha neste carrossel. Internem-me, por favor, porque eu devo ter um problema :)
E tudo isto recomeça novamente daqui a uns dias...
O mais estranho é que, apesar de todos os problemas desta portuguesa perdida no meio de um open space de 20 chineses (que, by the way, não me percebem e me acham exótica), estou ansiosa pela próxima edição e por mais uma voltinha neste carrossel. Internem-me, por favor, porque eu devo ter um problema :)
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Querem vir sentadinhos no autocarro ou no metro?
Pensem duas vezes antes de começar um disputa.
No primeiro vídeo a senhora mais velha grita "vou-te ensinar uma lição"!! enquanto se atira ao cabelo e à roupa da outra miúda. Foi preciso a intervenção de várias pessoas para as conseguir separar.
E no outro vídeo.. há drama, há várias personagens, e um lugar vazio para ocupar.
No primeiro vídeo a senhora mais velha grita "vou-te ensinar uma lição"!! enquanto se atira ao cabelo e à roupa da outra miúda. Foi preciso a intervenção de várias pessoas para as conseguir separar.
E no outro vídeo.. há drama, há várias personagens, e um lugar vazio para ocupar.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Cálculo Mental
Neste Oriente longínquo onde a Princesa e o Fiel Escudeiro moram, a liberalização não é apenas para o jogo. Os medicamentos disponíveis no território nunca precisam receita médica, os preços variam conforme o local onde a farmácia está situada e encontramos medicamentos genéricos que vêm de todo o mundo. Os nomes a que estamos habituados e que reconhecemos, na maioria das vezes têm um substituto com outro nome, e de outra origem.
Por isso para nós o desafio é sempre a comunicação. Os farmacêuticos não reconhecem os nomes dos medicamentos e quase não falam inglês. A grande maioria das vezes é o Fiel Escudeiro que vai fazer mímica para a farmácia para se fazer entender. A Princesa não é muito boa nessa forma de expressão. Queria poder gravar as nossas figuras no nosso jogo particular de mímica: tosse, febre, garganta inflamada, picadas de insectos, a melhor de todas... diarreia, vitaminas efervescentes, água oxigenada.. e tantas outras coisas que temos de conseguir explicar por gestos.
Hoje, vítima dos ares condicionados ao rubro em todos os espaços fechados, a Princesa precisa de um anti inflamatório para a garganta e estando sem o Fiel Escudeiro para ajudar na mímica foi para a farmácia munida de uma fotografia com o nome do medicamento.
"Sou tão esperta!" era a ideia que me ia passando pela cabeça enqto esperava pela vez na farmácia! "
"Tão ingénua!" foi a ideia com que saí da farmácia, derrotada pelos chineses.
Os Chineses da farmácia pequena do nosso bairro podem não saber falar inglês, mas pelo menos são prestáveis. Estes outros que visitei hoje devem achar que são finos porque estão numa farmácia nova no centro da cidade.
Resposta imediata do Chinês: "No have!".
Tenho a certeza que ele nem teve tempo de ler o nome completo do medicamento.
Princesa insiste: "Ok, não ter. Mas dá-me um 'same same'. Um que seja igual"
Chinês sem paciência porque já usou todo o inglês que sabia: "No. No have."
Enchi-me de coragem para uma caminhada sob um calor abrasador para ir a outra farmácia, onde DE CERTEZA tinham o que eu queria.
Chegando lá o procedimento é o mesmo. Saco do telemóvel para mostrar a fotografia do que eu quero. Desta vez a miúda da farmácia demorou o tempo suficiente a olhar para a foto para perceber o que eu queria.
Começa a abanar as mãos a dizer "No, No, No have".
"Mas é que nem penses que te livras de mim com essa facilidade", era a única coisa que me passava pela cabeça.
"Ok. Então faz favor de ligar para as outras farmácias do grupo (que são muitas) e diz-me onde há o medicamento e eu vou lá buscar!"
A rapariga ficou incrédula com o meu pedido. Mas acabou por dizer.. qualquer coisa que se entendesse: "Eu tenho o medicamento, mas não nessa dosagem"
Na minha foto diz "Tomar 2 comprimidos de 5mg de cada vez" e ela só tinha comprimidos de 10mg.
A Princesa não é lá muito bom em cálculo mental. Mas se a toma são 5mg+5mg, quer dizer que são 10mg. E se ela tem um comprimido de 10mg, PORQUE RAIO ME DIZ QUE NÃO HÁ?!
Por isso para nós o desafio é sempre a comunicação. Os farmacêuticos não reconhecem os nomes dos medicamentos e quase não falam inglês. A grande maioria das vezes é o Fiel Escudeiro que vai fazer mímica para a farmácia para se fazer entender. A Princesa não é muito boa nessa forma de expressão. Queria poder gravar as nossas figuras no nosso jogo particular de mímica: tosse, febre, garganta inflamada, picadas de insectos, a melhor de todas... diarreia, vitaminas efervescentes, água oxigenada.. e tantas outras coisas que temos de conseguir explicar por gestos.
Hoje, vítima dos ares condicionados ao rubro em todos os espaços fechados, a Princesa precisa de um anti inflamatório para a garganta e estando sem o Fiel Escudeiro para ajudar na mímica foi para a farmácia munida de uma fotografia com o nome do medicamento.
"Sou tão esperta!" era a ideia que me ia passando pela cabeça enqto esperava pela vez na farmácia! "
"Tão ingénua!" foi a ideia com que saí da farmácia, derrotada pelos chineses.
Os Chineses da farmácia pequena do nosso bairro podem não saber falar inglês, mas pelo menos são prestáveis. Estes outros que visitei hoje devem achar que são finos porque estão numa farmácia nova no centro da cidade.
Resposta imediata do Chinês: "No have!".
Tenho a certeza que ele nem teve tempo de ler o nome completo do medicamento.
Princesa insiste: "Ok, não ter. Mas dá-me um 'same same'. Um que seja igual"
Chinês sem paciência porque já usou todo o inglês que sabia: "No. No have."
Enchi-me de coragem para uma caminhada sob um calor abrasador para ir a outra farmácia, onde DE CERTEZA tinham o que eu queria.
Chegando lá o procedimento é o mesmo. Saco do telemóvel para mostrar a fotografia do que eu quero. Desta vez a miúda da farmácia demorou o tempo suficiente a olhar para a foto para perceber o que eu queria.
Começa a abanar as mãos a dizer "No, No, No have".
"Mas é que nem penses que te livras de mim com essa facilidade", era a única coisa que me passava pela cabeça.
"Ok. Então faz favor de ligar para as outras farmácias do grupo (que são muitas) e diz-me onde há o medicamento e eu vou lá buscar!"
A rapariga ficou incrédula com o meu pedido. Mas acabou por dizer.. qualquer coisa que se entendesse: "Eu tenho o medicamento, mas não nessa dosagem"
Na minha foto diz "Tomar 2 comprimidos de 5mg de cada vez" e ela só tinha comprimidos de 10mg.
A Princesa não é lá muito bom em cálculo mental. Mas se a toma são 5mg+5mg, quer dizer que são 10mg. E se ela tem um comprimido de 10mg, PORQUE RAIO ME DIZ QUE NÃO HÁ?!
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segunda-feira, 20 de julho de 2015
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