quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Manual de Instruções para o Fiel Escudeiro poder ir às compras sozinho

Quem achar que fazer recados (ir às compras, deixar a roupa na lavandaria, despejar o caixote do lixo, ir banco, ir aos correios) é fácil, deve ter uma conversa séria com o Fiel Escudeiro.

Ele já conseguiu perder roupa no percurso até à lavandaria tendo depois de voltar e explicar às senhoras chinesas (por gestos... e se calhar alguns sons) qual a cor, tecido e feitio da peça de roupa desaparecida. Quase conseguiu esgotar o crédito do cartão com aquele vinagre de lichia maravilhoso, ou com as promoções de 4 quilos de arroz tailandês, ou ainda todas as variedades de doces de gengibre disponíveis no mercado. Precisou alugar um carrinho de mão para transportar todas as moedas de patacas até ao banco para a Princesa despejar o mealheiro. E tem uma desenvoltura muscular enorme de tanto subir e descer as escadas para despejar o lixo na rua.

Mas agora, o pobre escudeiro teve dificuldade em superar o grande desafio de comprar alguns ingredientes da lista de compras.

Porque a Princesa quer continuar a cozinhar um dos pratos favoritos do Fiel Escudeiro, aqui fica:

Isto é Grão



E isto é feijão




A pobre alma, em resposta às instruções de "traz grão", trouxe o seu peso em FEIJÃO BRANCO!!

E para quem leu os capítulos anteriores destas aventuras e sabe que neste reino distante se fala chinês, fica aqui o esclarecimento que para além da fotografia do produto, a marca de feijão em questão é portuguesa, com descrição em português.

A solução fácil seria fazer uma receita de feijoada, mas a Princesa tem algum receio daquilo que possa vir para casa quando fizer a lista de compras do talho para este prato.

Alguém precisa de repor o stock de feijão lá em casa?

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Vantagens de ter um Fiel Escudeiro distraído em casa?

Usar uma camisola velha, já bastante usada e com pequenos defeitos e ouvir, logo pela manhã: "Foste às compras? Essa camisola nova fica-te mesmo bem!"


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

"Wing Lok" para ti também

Depois de um ataque de nervos porque os senhores taxistas não me queriam como cliente (poupo aqui os detalhes, mas é tudo uma questão de SIM, EU QUERO O RAIO DO TAXIMETRO E RECUSO-ME A PAGAR UM PREÇO COMBINADO ANTES DA CORRIDA), mais uma bela aventura a bordo dos taxis.

Que o Fiel Escudeiro não me oiça, mas expressões como "Deves estas 'majé' a gozar comigo", ou "Vai trabalhar oh chulo" ou ainda "Não vês que não sou turista pá? Estás a tentar enganar-me para quê?" foram utilizadas nas conversas.

Entredentes. Confesso. Estava sozinha e ainda não estava no meu limite de loucura.

O segurança disse que eu devia desistir e ir procurar taxis noutro sítio e sentou-se a dormir a sesta (pura das verdades, mandou-me embora e sentou-se a dormir).

Em voz alta (bem alta), só me saiu um "Are you fuc&$%# kidding me?!"

Perdi a conta ao número de carros que estavam na paragem de taxis. Todos disponíveis e todos a tentar vigarizar uma pobre princesa que só queria chegar a casa.



Depois desta frustração dei-me por vencida e fui para outras paragens. 

A ferver de nervos chego a outro casino com um cenário semelhante e já imaginar o pior. Tentei não dar hipótese e disse-lhe a morada em chinês. Ou pelo menos, acho que foi isso que lhe disse.

A conversa na rua e aos gritos, foi mais ou menos assim:

Princesa: Mm goi, Wing Lok. (Cinema Alegria, Sff)
Taxista repete as minhas palavras, mas mais alto: Wing Lok?
Princesa: Hai (Sim.. é isso mesmo) 
Taxista volta a insistir: Wing Lok?
Princesa (já a ver a vida a andar para trás agarra-se à porta do taxi tenta mais uma vez): Wing Lok. 

Entro para o taxi, agarro-me ao telemóvel para procurar a fotografia em chinês para lhe mostrar.

Mas ele ainda está aos aos gritos na rua a repetir as minhas palavras.

Grito-lhe de dentro to taxi "Wing Lok" e ele finalmente repete "Wing Lok" uma última vez e entra no taxi.

Parecíamos dois doidos a repetir sempre as mesmas palavras. E ele acabou fazer aquela expressão de "ahhh.. wing lok. agora já percebi." 

Por esta altura eu ainda não estava segura que ele me ia levar a casa. E a meio caminho (que conheço bem) ele faz um desvio e começa rir-se.

De noite, com as ruas desertas e estreitas, um senhor taxista muito velho que não me deu garantias de ter percebido o que eu tinha dito, estava a ir por um caminho estranho que eu não conhecia, enquanto se ria.

Ele deve ter percebi que eu estava a ficar nervosa e ria ainda mais.

O percurso acabou com ele a fazer um "Tcharan, já cá estamos", depois de fazer uma curva para contornar o edifício.


Nunca o sorriso de um taxista velho e já sem alguns dentes me pareceu tão bonito!! :)





quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ventos da Coreia

Hoje ninguém se pode queixar de sono. É que apesar da chuva e do vento, hoje os residentes de Macau puderam passar a manhã em casa.

Foi o primeiro (e último) grande tufão do ano e durou uma noite. Veio com o nome coreano Kalmaegi (gaivota, em português) e fez estragos com farturinha. Felizmente apenas estragos materiais, mas ainda assim foi o caos para uma cidade como Macau.

Até à hora de almoço esteve içado o Sinal 8 e não havia autocarros, as pontes e escolas estavam fechadas, e só os serviços de polícia e emergência devem andar pela rua.

Depois dessa hora, os autocarros retomaram e todas as pessoas que tinham de chegar ao trabalho depois das 2PM correm para as paragens. O caos!

Parecia novamente o concurso do Julio Isidro de conseguir por o maior número de pessoas num Mini.. nas com autocarros.